O mundo em seu umbigo…

Para aqueles que não frequentam o mundinho fechado das pesquisas científicas, muitas das coisas feitas pelos pesquisadores parecem extremamente complexas e/ou bizarras. Algumas, são mesmo – tenho que admitir! Outras, só parecem.

Confesso que eu achei meio estranho quando vi que existia um “Projeto da Biodiversidade do Umbigo”. Tem doido pra tudo nesse mundo! Resolvi buscar informações mais detalhadas para verificar se não era apenas lorota pra enganar bobo. E descobri que o negócio é verdade.

Mas qual o objetivo de se pesquisar quais micro-organismos habitam nossos reles umbiguinhos? Bom, assim como 99% das pesquisas que são feitas (“estatística” por minha conta), a princípio, esse conhecimento não trará nenhum benefício para a humanidade, servindo apenas para gastar dinheiro, divertir alguns nerds e gerar assuntos para se conversar num boteco (o que talvez já seja de bom tamanho!). Entretanto, no futuro, e com o acúmulo de outros conhecimentos, isso pode levar a melhores formas de tratar e prevenir doenças, e até mesmo a formas alternativas de se degradar poluentes (ora, se a bactéria consegue viver nesse buraco imundo que é seu umbigo, ela deve conseguir “comer” e processar coisas bem estranhas, não é mesmo?). E, por que não, o perfil de bactérias “umbilicais” característico de cada indivíduo talvez poderia funcionar como um tipo de “impressão digital” ou histórico de vida da pessoa, uma vez que os resultados iniciais da pesquisa apontam que as populações de bactérias variam bastante de umbigo para umbigo…

A verdade é que cada um de nós é como um “planeta” colonizado e habitado pelos mais diferentes micro-organismos e parasitas, e cada parte do nosso corpo oferece um nicho ambiental especial que será ocupado por um grupo diferente destes pequenos seres. Em nosso corpo há mais células de bactérias do que as nossas próprias! E não pense que estes “aliens” são responsáveis apenas por causar doenças – na verdade, as doenças causadas pelos organismos que vivem em nossa pele, cabelos, trato digestivo, trato genito-urinário e vias aéreas, são exceção quando comparadas aos benefícios que eles nos oferecem. Diversos experimentos realizados com animais livres de germes (germ-free ou gnotobióticos) indicam que estes “germes” que vivem em nós são essenciais para que tenhamos uma resposta imune adequada e um bom aproveitamento dos nutrientes que ingerimos – só para dar alguns exemplos. Por isso têm sido desenvolvidos alimentos probióticos, contendo organismos como os “lactobacilos vivos” (sabem de que estou falando, né?), que prometem melhorar a digestão e a saúde.

Ainda não sei a vantagem imediata de se conhecer os “bichinhos” que vivem em nosso umbigo (apesar de antever algumas possibilidades futuras, como disse acima), mas é legal saber que há um mundo todo lá. Então, quando alguém perguntar se você acha que o mundo gira em torno do seu umbigo, diga pra ele que “não, o mundo está lá dentro…”   ; )

Para saber mais:

Site oficial do Projeto da Biodiversidade do Umbigo: http://www.wildlifeofyourbody.org/

http://www.ndig.com.br/item/2011/07/descobrem-que-umbigo–uma-reserva-natural-de-biodiversidade

http://blogs.discovermagazine.com/loom/2011/06/27/discovering-my-microbiome-you-my-friend-are-a-wonderland/

http://the-scientist.com/2011/06/01/the-gravity-of-life/

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2 pensamentos sobre “O mundo em seu umbigo…

  1. Eu me ofereço de cobaia para esse estudo. O meu umbigo deve ter mais biodiversidade que a bacia do amazonas. Na imensidão da minha região abdominal, que já não permite usar cinto e sim um bambolê, o meu umbigo simplesmente desapareceu. Outro dia perdi meu celular dentro dele. Semana passada não achava o Rafinha e escutei ele me chamando do fundo do meu umbigo. Não vejo meu umbigo faz décadas. Muito útil esse estudo. Eu achei.

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