Smile

Essa última semana foi uma overdose de Michael Jackson. Apesar da chatice das discussões sobre as causas da morte, da vida atribulada e das esquisitices do cantor, me diverti muito ouvindo as músicas e vendo os clipes do carinha. Ele realmente sabia fazer a “grande máquina pop” funcionar, melhor do que ninguém. E quem mais do que ele para fazer calças pega-frango com meias brancas e mocassins parecerem uma coisa legal? Só ele.

Em meio a toda a grande obra do “rei do pop” (esses epítetos são um saco, mas é tão difícil evitá-los…), ouvi uma música que até onde eu sei não fez tanto sucesso na versão de Michael, mas que me chamou a atenção. Smile:

‘Smile’

Charlie Chaplin’s Theme Music for ‘Modern Times’
Lyrics by John Turner and Geoffrey Parsons – 1954

Smile, though your heart is aching
Smile, even though it’s breaking
When there are clouds in the sky
You’ll get by…
If you smile
With your fear and sorrow
Smile and maybe tomorrow
You’ll find that life is still worthwhile
If you just…

Light up your face with gladness
Hide every trace of sadness
Although a tear may be ever so near
That’s the time you must keep on trying
Smile, what’s the use of crying
You’ll find that life is still worthwhile
If you just…

Smile, though your heart is aching
Smile, even though it’s breaking
When there are clouds in the sky
You’ll get by…

If you smile
Through your fear and sorrow
Smile and maybe tomorrow
You’ll find that life is still worthwhile
If you just smile…

That’s the time you must keep on trying
Smile, what’s the use of crying
You’ll find that life is still worthwhile
If you just smile

 

A música está no álbum History de Michael, que foi lançado quando o cantor atingiu o ápice de sua megalomania. Mas ela me chamou a atenção pela forma como Michael a interpreta, tão emotivamente – e a letra parece ser um recado para ele mesmo.

Procurando pela música, acabei descobrindo algo legal: ela é uma composição de Charlie Chaplin para o filme “Tempos Modernos” (1936), e que mais tarde (em 1954) teve a letra escrita por John Turner e Geoffrey Parsons, quando a música se tornou sucesso, interpretada por Nat King Cole.

E como eu adoro quando as linguagens todas se cruzam (música, cinema, literatura), achei ótimo a descoberta ter coincidido com a leitura de um poema de Carlos Drummond de Andrade sobre Charlie Chaplin. Só um pedacinho, porque “Canto ao homem do povo Charlie Chaplin” é um poema grande:

“(…)Ser tão sozinho em meio a tantos ombros,

andar aos mil num corpo só, franzino,

e ter braços enormes sobre as casas,

ter um pé em Guerreiro e outro no Texas,

falar assim a chinês, a maranhense,

a russo, a negro: ser um só, de todos,

sem palavra, sem filtro,

sem opala:

há uma cidade em ti, que não sabemos. (…)”

 Acho que são palavras que hoje se aplicam bem também a Michael, que assim como Chaplin, soube chegar ao coração do povo… Dois grandes comunicadores e entertainers.

 

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