Supertramp gentleman

Ele tinha todo um ar aristocrático. Caminhava solenemente pela rua, sem olhar para os lados – mas o semblante era tranquilo, sem nenhum sinal de preocupação em seu rosto. Parecia saber muito bem para onde ia.

Observando-o, tive a certeza de que era um gentleman, uma dessas pessoas muito respeitosas, de conversa franca e agradável, e de impecável educação. Elegante, apesar dos pés sujos e descalços, desfilava confiante trajando calças curtas e terno surrado, as mãos displicentemente ajustadas nos bolsos.  Ainda assim, aquele homem expirava uma enorme dignidade, uma dignidade que faltava em tantos homens que deviam tê-la como estandarte. As barbas brancas sobre a pele negra ainda completavam a grande figura, reforçando a idéia de que ele guardava também imensa sabedoria, como um tesouro escondido e que infelizmente ao qual ninguém (ou poucos) teria(m) acesso, simplesmente porque as barreiras do medo e do preconceito não nos deixam parar por aí para bater papos filosóficos com andarilhos.

Foi por apenas alguns segundos que ele cruzou pelo meu campo de visão, enquanto eu atravessava a cidade dentro do ônibus lotado.  Mas a imagem daquele homem fixou-se em meus olhos, como retrato ao mesmo tempo alegre e triste, um relato visual poético da grandeza desse povo, e da negligência com que ele é tratado.

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