Sobre o preconceito (1)

Eu sou contra o preconceito. Mas isso não quer dizer que eu não seja preconceituosa. E tenho certeza de que todos somos, e de que cada um traz guardadinho os seus próprios preconceitos. Eu acho que eles não fazem mal, desde que você tenha consciência de que aquilo é uma deformação da sua percepção do outro, e saiba conviver com as pessoas sem deixar que estes preconceitos pesem nas suas tomadas de decisão e ações. Contudo, confesso que não é fácil.

Um bom exemplo é o caso daquela menina, a tal de Geisy (ou coisa parecida), da Uniban. O comportamento do pessoal da faculdade, aquela comoção toda entorno da menina por causa de um vestido, foi tudo realmente ridículo. Precisava daquele fusuê todo? Porém, isso não modifica o fato de que a garota é uma bisca de carteirinha. Eu não gosto das biscas, mas se ela quer ser assim, é problema dela – não tenho nada a ver com isso! Que ela ande por aí com seus cabelos oxigenados, saias curtas e coxas descoloridas, e seja feliz!

Meu preconceito contra as biscas tem alguns fundamentos (como todo preconceito que se preza, tem que ter uma tentativa de ser justificado). Eu acho que esse tipo de criatura acaba com a imagem das mulheres. Não que eu seja contra a mulher ser gostosona, coisa e tal. O problema é quando ela é apenas isso: uma mulher gostosa (pelo menos para o gosto da maioria popular). Ainda que uma bisca possa ser inteligente na intimidade (o que, pelo meu preconceito, julgo bem improvável), na vida pública ela contempla justamente um outro preconceito: o da mulher objeto, estúpida e rebolativa. Suas qualidades são apenas ser ótima para o sexo, e para satisfazer os desejos do homem. Ela não é nada além daquilo.

Querendo ou não, o Brasil é um país machista. E para mim, cada bisca contribui para dificultar as pequenas conquistas femininas em provar suas inteligências e capacidades neste mundo. Elas reforçam o machismo (que é outro preconceito) e enfraquecem as possibilidades das mulheres que desejam ter sucesso por algo além da própria bunda.

Por tudo isso, eu tenho preconceito contra as biscas. Mas desejo a elas a felicidade e a liberdade sendo quem elas são. Talvez, elas apenas tenham encontrado um caminho que não compreendo… Viva a diversidade.

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