Desventuras de um antissocial (4) – Fim de ano

Fim de ano é uma merda. Pronto, falei. Quando a gente resolve expor um ponto de vista diferente sobre algo, as pessoas acham que a gente tem algum problema (e tenho vários mesmo, e daí???).

Cara, não aguento este negócio de natal, ano novo, festa de confraternização pra cá, presente pra lá, onde você vai passar o reveillon, blablablablabla… AAAAAAHHHHH!!!!!

Se um dia eu tive fé neste negócio de “nascimento de Jesus” que representa o Natal, eu não sei mais onde ela foi parar. E mesmo que ainda tivesse alguma crença, as comemorações do natal foram totalmente desvirtuadas. Duvido que pelo menos metade das crianças saiba uma definição para esta data que ultrapasse “presentes” e “papai noel”.

E já que a data é a ode ao consumismo, a cidade reflete isso num caos total. Puta que pariu, o trânsito bate todos os recordes de engarrafamento, simplesmente porque todo mundo resolve sair de casa para comprar presentes. Eu avisei aos meus convivas este ano: não me deem presente, porque eu não vou comprar nada pra ninguém! O pessoal acatou de boa, porém, quando alguém de fora vem perguntar “o que você vai dar de presente para sua mãe?” e você responde “nada”, acham um absurdo. Como se fosse um presente comprado na obrigação que medisse a sua estima pela pessoa… Posso dar presentes em outras ocasiões que não envolvam shoppings e ruas lotadas, luta livre para agarrar o objeto de desejo, e filas intermináveis para pagar as compras e achar onde estacionar o carro.

Além dos presentes para a família, você ainda tem que participar de milhares de “amigos ocultos” nas infindáveis confraternizações que inventam. É no trabalho, no condomínio, na academia, no curso de línguas, com os amigos da faculdade, com os amigos da escola… Haja tempo, dinheiro e fígado para tanta festa! E pra comemorar com pessoas que na maior parte das vezes – confesse – você não dá a mínima.

E ainda tem a passagem de ano. Ninguém me avisou, mas acho que deve ser um sacrilégio não ir a ou preparar nenhuma festa neste dia – porque é terrível a cara com que as pessoas te olham quando você diz que vai passar o dia 31 de dezembro em casa sem maiores badalações. Eu sou obrigado a gostar de praia lotada, pular sete ondas, comer não sei quantas uvas e toda essa bobajada? Ou a pagar R$500 para ir num clube ouvir umas bandas fuleiras e estourar um espumante de quinta categoria?

E ainda não cheguei na pior parte: nos primeiros minutos do primeiro de Janeiro, como se já não estivesse saturado, inicia-se uma nova (velha) ladainha anual – assim que terminam os fogos, explodem as vinhetas e sambas-enredo do carnaval, que dali a pouco mais de um mês chega para ensandencimento geral da nação brasileira. E só depois o ano começa de verdade, nesse país onde só se pensa em festa.

Eu odeio fim de ano.

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