Haiti, BBB e o caralho a quatro

Ai, gente. Nemmm… Não dá mesmo para ter alguma esperança na humanidade. Como?

O que mais me incomoda não é como as coisas são em si, mas o modo como as pessoas lidam com elas. Peguemos como exemplo o cristo da semana: o Haiti. Um pobre de um país que infelizmente (com o perdão da palavra) sempre foi fodido. Um povo toda a vida sofrido. E alguém tava ligando pra eles? Fora um mínimo esforço da ONU, com o apoio do Brasil, as pessoas em geral se lembravam que o país sequer existia? Aí vem um terremoto, pra avacalhar ainda mais aquilo que parece não ter mais jeito de ser avalhado, e todo mundo fica numa comoção só. Tudo bem, que aquele cenário dantesco de filme de fim de mundo realmente deixa a gente abalado. Mas sinceramente, o que se espera de um lugar que só foi explorado ao longo dos anos por outros países, cujo governo é corrupto e em que nem mesmo os cidadãos que deveriam representar o país acreditam nele (ver o que o cônsul do Haiti no Brasil fala sobre o país no vídeo abaixo)?

E ainda me dá um preguiça danada os genéricos de “We are World” que os cantores e artistas inventam, como se fossem mudar alguma coisa (http://www.band.com.br/entretenimento/musica/conteudo.asp?ID=252843; http://www.abril.com.br/noticias/diversao/george-clooney-vai-apresentar-programa-pro-haiti-525951.shtml).

Tudo bem, que neste momento de calamidade toda ajuda é necessária, de maneira imediata. Porém, convenhamos – são apenas medidas de “controle de remorso”. Porque se este dinheiro não for bem aplicado, todo mundo sabe que ele vai para o bolso de corruptos. E que a maior ajuda que se poderia dar, é para reconstruir a infra-estrutura básica do país – mas principalmente, num esforço de levar até eles mais do que a infra-estrutura, o ensinamento de como modificar o “modus operandi” do lugar – o que leva muito tempo, paciência, e dedicação de profissionais capacitados, não apenas dinheiro. Convencer as pessoas de que elas podem viver em paz umas com as outras, de que há outro modo de vida que não na pobreza e na falta de educação (quando isto é tudo que elas conhecem) e ainda reerguer a economia, é trabalho que leva décadas, e que não vai ser feito só porque  200 000 mortos chocaram todo mundo na TV.

O que me deixa triste é isso: os 200 000 mortos na TV, o empenho e o esforço de alguns governos e artistas em arrecadar dinheiro, tudo isto será em vão (exceto por alguns prêmios Pulitzer em cima da desgraça alheia) porque daqui a uma semana ninguém mais se lembrará de Haiti, preocupados somente com o próximo paredão do BBB e com o carnaval e a copa que se aproximam .

Tudo isto é apenas o espetáculo do grotesco.

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