Abandonado

Ele caminhava, atravessando o viaduto. Era como se aquele trajeto representasse sua vida. Pra chegar onde queria, teria que ultrapassar o longo caminho através da ponte. Sozinho. Ele ia quase se arrastando, como se os pés mal conseguissem se desgudar do chão para dar o próximo passo. Cabeça baixa, ombros caídos, e o chapéu enterrando a face, que certamente guardava um semblante triste e vazio por baixo das abas. Os carros passavam rapidamente, e era como se aquele homem não existisse, ou fosse apenas mais uma sombra naquela noite fresca de outono. Ninguém se importava com o peso e a dor que ele carregava. Porém, apesar de tudo, o homem atravessava o viaduto, e seguia seu caminho, levando consigo toda a bagagem pesada e o abandono que o mundo lhe impusera… 

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