O Macaco e a Essência – Aldous Huxley

Faz muito tempo que não falo sobre o que ando lendo. Isso provavelmente aconteceu porque as minhas últimas leituras, apesar de terem sido bons livros, não me empolgaram muito… Mas esta última me deu nova perspectiva.

Nos últimos meses, li a “Trilogia da Fundação”, de Isaac Asimov (o mestre da ficção científica robótica, autor de “Eu, robô”). O primeiro livro começa bem, mas de repente, fica muuuiiito chato. Só não desisti dos outros dois porque comprei todos juntos numa promoção, e aí era questão de honra ao dinheiro gasto prosseguir. Até que a história melhora com o tempo, e o final do último livro até volta a empolgar um pouquinho. O enredo geral é bom, mas como na maior parte da história os personagens mudam constante e rapidamente, você não cria afinidade com nenhum deles. Somente quando começa a parte do Mulo é que você cria alguma afeição e o negócio deslancha. Acho que o livro me decepcionou porque eu esperava muito mais ficção científica, enquanto na verdade ele não é mais que uma história de guerra e política que se passa no futuro longínquo da humanidade. Apesar de tudo, vale à pena a leitura. Não vou descrever melhor os livros aqui porque eles não são o foco deste post.

Li “O Vendedor de Armas”, de Hugh Laurie (o cara que faz o Dr. House na série de mesmo nome). Ganhei o livro do meu namorado, de forma bem inesperada. Foi uma leitura leve e agradável, e como eu não esperava nada em particular, acabou sendo uma boa surpresa. Até que o cara leva jeito pra escrever, narra uma história de ação perfeita para um filme de Hollywood, com pitadas de humor inglês e sarcasmo (este, bem ao estilo House).

Esta semana li “O macaco e a essência”, de Aldous Huxley. Eu me tornei fã do cara após ler “Admirável mundo novo”, que considero a melhor ficção científica. “Também o cisne morre” é outra obra dele que já li . São dele também o romance “A ilha” e o livro “As portas da percepção” – este último, considerado um prenúncio do movimento Hippie, onde ele descreve suas experiências com a mescalina.

Huxley veio de uma família inglesa “intelectual”: seu avó, naturalista,  foi um dos primeiros a divulgar e defender a Teoria da Evolução de Darwin. Ele era parente e/ou amigo de alguns dos expoentes literários de sua época. Professor de literatura, normalmente incluía em suas obras referências a escritores e poetas importantes, como Shakespeare, fazendo da intertextualidade um traço interessante e contextualizado.

O que mais me chama atenção nos livros dele é como ele conseguia ser visionário, abordando temas humanos fundamentais (desenlvolvimento tecnológico, ideologias políticas, religião, controle sobre a população, desejo de juventude eterna, o apocalipse) extrapolando-os para o futuro de forma tão certeira.

Em “O macaco e a Essência”  Huxley narra, em forma de roteiro cinematográfico, um romance que se passa num cenário pós-apocalíptico. O início é bem psicodélico, com descrição de imagens em que os homens são substituídos por macacos para ilustrar bem o lado mais bestial do ser humano, que teria nos levado à terceira guerra mundial – nesta, apenas em três dias de armas atômicas e biológicas, o mundo como o conhecemos teria sido destruído. Em seguida, ele conta a história de alguns dos sobreviventes à hecatombe, mostrando um cenário em que deus está morto, e onde reina o culto bestializado ao diabo, frente à desesperança, ao empobrecimento, à ignorância e às assustadoras mutações genéticas – sempre com seu inconfundível viés político-religioso. Apesar de reforçar a ideia pessimista de que “o homem é o lobo do homem”, ele deixa ao fim da história uma breve esperança de que pode haver ainda uma salvação para a espécie humana – desde que ela reencontre o seu lado mais humano, e consiga superar a sua essência bestial… Recado dado a todos nós.

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