Loki – Arnaldo Baptista

Sexta-feira eu estava cumprindo com minha rotina de preparação para o fim-de-semana, de zapear freneticamente a TV escornada no sofá até cansar meus dedos e acabar dormindo embolada com o cachorro – uma ode à mais pura preguiça. Vez ou outra encontro alguma pérola nesse mar de porcarias que é a TV. Pois nesta sexta, parei no Canal Brasil, onde passava o doumentário biográfico de Arnaldo Baptista, um componente dos “Mutantes”.

Em matéria de música, não sou nenhuma expert – tenho algumas poucas referências e opiniões, apenas. Dos Mutantes, conheço o básico (e gosto, acho as músicas inovadoras e divertidas), de rock progressivo quase nada (tem coisas boas,  e outras muito cansativas pro meu gosto escassamente lapidado). Mas há algo de fascinante nos gênios loucos, capaz de atrair a atenção de praticamente qualquer pessoa. E Arnaldo Baptista pode ser considerado um membro deste grupo. Além disso, a aura de inovação, loucura e história que envolve a cultura dos anos de 1960 e 1970 é sempre um atrativo a mais.

Sobre o Arnaldo, não sabia nada além de que era “o doidão apaixonado por Rita Lee e que tentou se matar”. Nunca havia ouvido nada dele (que não fosse com os Mutantes). No documentário a gente consegue perceber que a descrição que eu fiz é, obviamente, bem pobre. Difícil saber se a loucura dele era intrínseca, e apenas despertada pelo uso de drogas, ou se foram as próprias drogas que deram um nó na cabeça do cara. De toda forma, ele é um retrato do gênio incompreendido e deprimido, que se afunda e se perde em si mesmo. Até aí, muitas histórias parecidas. A diferença, é que ele conseguiu encontrar um caminho e viver, apesar de seus fantasmas. É triste ver tanto potencial perecer na loucura. Por outro lado, é redentor ver que é sempre possível se reinventar e aproveitar bem o que se pode (mesmo com algumas limitações). Aceitar a própria natureza é provavelmente o primeiro passo para a felicidade… 

Além de inspiração como exemplo de vida, o documentário é uma boa oportunidade de conhecer um pouco da  produção solo  do Arnaldo. Confesso que não é o tipo de música que mais me atrai – apesar de todos os comentários de que é sensacional, de grande qualidade musical, e inovador – porém, gosto de aguçar meus ouvidos com algo diferente de vez em quando. E uma música embutida de história, mesmo que não seja aquela que mais agrada, torna-se algo muito especial. Vale à pena, me diverti bastante (só um pouco difícil encontrá-las… o lugar onde encontrei mais coisas foi no youtube).

Para saber mais:

http://www.arnaldobaptista.com.br/index.htm

http://www.beatrix.pro.br/mofo/arnaldo.htm

http://www.osmutantes.com/biografia/arnaldo.html

http://canalbrasil.globo.com/loki/

ADENDOS

Lá fora o pessoal curte demais Arnaldo e os Mutantes. Kurt Cobain fala sobre eles a partir de 2:12min deste vídeo. Kurt devia se sentir muito como Baptista, mas não teve a mesma sorte, infelizmente…

 

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