As pessoas (2) – Bonzinho só se fode

Eu cheguei à conclusão que, definitivamente, bonzinho só se fode. Queria ter a capacidade de ser muito má, e não ligar pra nada nem pra ninguém. Porque são estas as pessoas que conseguem as coisas. Se elas são felizes, não sei, mas elas têm o que querem, e não possuem o menor remorso de fazer (ou deixar de fazer) o que for preciso pra se darem bem – mesmo que isso signifique que outra pessoa vá se dar mal. Me parecem muito serenas e tranqüilas em serem um estorvo para a vida alheia. E raramente se dão mal por conta disso.

O pior é que tenho a sensação de que no Brasil esse tipo de sujeito tem uma prevalência muito alta (usando um termo médico-científico que se refere à distribuição de doenças – que é como esse tipo de gente deveria ser tratada). Vai desde o cara que finge ser deficiente pra pedir dinheiro no sinal, até o político mentiroso e corrupto que faz com que sejamos sempre “o país do futuro” – um futuro que nunca se torna presente. E esse tipo de “abordagem” ainda ganha status, como “jeitinho brasileiro”.

Tem um colega meu que trabalha no IBAMA, e que estava contando os perrengues que passa por lá. Como o governo pede a liberação de obras públicas sem dar tempo suficiente para elaboração correta dos laudos (segundo meu colega, há poucos funcionários capacitados pra isso no IBAMA), muitas obras eleitoreiras acabam sendo liberadas porque alguém “com moral” se impõe sobre a instituição – sem que a obra seja adequadamente avaliada e autorizada do ponto de vista ecológico. Além disso, segundo ele, se o sujeito tem dinheiro e influência – como o ex- marido da Luma de Oliveira – as leis ambientais deixam de valer. Claro, nenhuma novidade nisso tudo, apenas um atestado do que estou falando.

Por essas e outras, há momentos em que tenho muita vergonha de ser brasileira. As pessoas parecem confundir prazer com libertinagem, festa com fuzarca, esperteza com malandragem, alegria com bagunça, intimidade com “folgadeza”, preguiça com leniência… Há um limite óbvio entre cada uma destas coisas, que é justamente o que separa um indivíduo “bom” de um indivíduo “mau” (numa acepção simplista e relativa, sem dúvida). Eu tento ser “boa”, mas quando percebo que os que se dão bem são os “maus”, fico realmente desanimada. E infelizmente, a sensação que fica é a de que a turma dos “bons” está cada vez mais escassa… Porém, mesmo assim, vou tentando me manter no grupinho (infelizmente) seleto dos bonzinhos (muitas vezes confundidos com bobinhos – precisamos ser não apenas bons, mas mais incisivos!). Não somos perfeitos, mas seguimos tentando! : )

Parafraseando Chapolin Colorado: “Sigam-me os bons!”. A gente se fode mas é feliz.

 

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