Nossa realidade científica: o estado primitivo-tecnológico

O mundo tem gente demais. E eu não agüento. Faço uma oração a Malthus, rogando que alguma praga se abata sobre nós, porque do modo como vai, tá muito difícil amar as pessoas. É tanta gente, que não cabe em nosso coração. Aí, vem o ódio e a ira, e a vontade de que pelo menos meia humanidade seja abduzida por alguma nave extraterrestre benfazeja. Constantemente mentalizo um mantra, impronunciável aqui, por questões de boa educação.

Darwin jamais disse isso (pelo menos, até onde eu sei), mas tenho a impressão de que o excesso de contingente de uma espécie favorece a burrice e a violência. Só pra dar um exemplo fora da espécie humana, vou falar sobre pombos (já que Darwin formulou sua teoria da evolução não só através do conhecimento adquirido em suas viagens, mas também através da observação da criação e do cruzamento de pombos, faço aqui uma pífia “homenagem” ao Homem). Os pombos infestam as cidades. Entretanto, há uns 15 anos atrás, a população de pombos (pelo menos na região onde moro) era consideravelmente menor que atualmente. Naquela época, poucos apareciam aqui no prédio. Hoje em dia, são tantos, que eles não têm pudor nem de ficarem no parapeito das janelas movimentadas dos apartamentos. Naquela época, eu nunca via um pombo morto no meio da rua, o que hoje é constante. Pode ser que por haver mais pombos, esteja mais fácil para os gatos os abaterem? Sim. Porém, os gatos normalmente estraçalham suas presas “brincando” com elas durante o abate. E os pombos que vejo, sempre estão no meio da rua, e inteiros (apesar de esmagados). Por isso acredito que eles estejam morrendo atropelados – o que antes de haver uma grande população de pombos, não acontecia. Daí a minha ideia de que os pombos estão ficando mais burros (Ok, esse meu papo furado não prova nada, visto que temos também muito mais carros, e é mais fácil atropelar um pombo numa população de 20 do que numa população de 5 – mas vocês compreenderam o ponto de vista, né?). Retornando à burrice e à violência humanas, longe de mim querer pregar a eugenia. Contudo, quando para arrumar um parceiro sexual basta abrir as pernas, e todo mundo se reproduz com facilidade, a seleção de caracteres que ultrapassem a aparência e o dinheiro (ou o simples desejo sexual) fica extremamente prejudicada. Daí a burrice. A violência numa superpopulação vem pela competição que se exacerba (por dinheiro, por poder, por comida, pelo parceiro mais sexy…) e porque no meio de tantos sujeitos, perde-se a individualidade, e é muito fácil passar despercebido ou fugir misturando-se ou perdendo-se em meio a tantos outros.

Não falo apenas como um antissocial nato. A superpopulação humana é também uma questão política (e econômica). Dentre os vários problemas associados ao excesso de gente no mundo, um que é pouco falado, e que tem me preocupado, é a xenofobia.  Eu sinto que em pouco tempo a xenofobia aumentará de forma aterrorizante: vemos os primeiros sinais quando brasileiros são deportados sem nenhuma razão justificável e de forma agressiva, e ao ver a campanha do governo francês para “repatriar” pessoas do leste europeu. A Europa é uma das poucas regiões do mundo que tem o aumento de sua população controlado. Por outro lado, numa população que cresce pouco (ou, nem cresce) e envelhece depressa, os recursos humanos acabam tendo que vir de fora. E lidar com pessoas de culturas e níveis intelectuais diferentes, costuma ser bastante complicado – por mais que elas sejam necessárias para manter a economia funcionando. Tudo favorece a intolerância.

Eu não gostaria de ser essa pessoa que execra seus iguais. Mas da forma como as coisas têm sido conduzidas, compreender e tolerar o outro tem sido tarefa cada vez mais complicada. O que permitiu a humanidade sobreviver até aqui, foi a mistura única e rara de instinto e razão – um contrabalanceia o outro quando um deles parece nos conduzir à perdição. Sem instinto não teríamos a força invisível e aparentemente inexplicável que nos estimula a procriarmos e sobrevivermos. Sem razão, não controlaríamos nossos instintos, nem seríamos capazes de superar as barreiras que eles nos impõem. A pequena população inicial de serem humanos vingou apenas pela razão, que foi guiada pelo instinto de sobrevivência. Meu temor maior é que estejamos usando a razão para chegar a um estado “primitivo-tecnológico”. Usamos as tecnologias através do instinto, e não da razão. Satisfazemos nossas necessidades básicas, entretanto, sentimos-nos vazios, incompletos, porque somos incapazes de dar vazão ao que nos torna realmente humanos. E assim, retornamos à essência do macaco, como tão claramente descreve Aldous Huxley.

De quem é a culpa? De cada um de nós? Sim. Porém, favorecendo aqui as teorias da conspiração, creio que há um interesse oculto de certos governos e instituições de manter-nos neste estado “primitivo-tecnológico”. Para eles, quanto mais gente no mundo, melhor: mais gente pra comprar, mais gente pra pagar imposto, mais gente pra trabalhar e pra gerar a riqueza deles. E quanto mais absortos, quanto mais burros estivermos, também melhor para eles: controle fácil e à distância. Parece filme de ficção, mas é apenas a nossa realidade.

 

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