Sambas e afins

Depois que defendi o doutorado e arrumei um emprego eu resolvi me dar um tempo para não fazer nada (a princípio, até o início do ano que vem). Apesar de ter uma lista enorme de coisas que desejo fazer (desde estudar línguas, a aprender danças, cozinhar, fotografar, ler, escrever, estudar para concursos…), o único compromisso além do trabalho é ir à academia. Na verdade, precisava de férias totais, mas no momento é isso que dá para fazer (ou melhor, não fazer).

Estou colocando em prática o “laissez faire, laissez passer”. E até que com essa “política”, de vez em quando ocorrem conjunções inesperadas. Uma de minhas principais atividades tem sido a “malhação dedal”, de sentar na frente da TV e apertar o botão do controle remoto freneticamente, na busca incessante por algo que preste nessa caixa de imagens. De vez em quando (Beeemmm de vez em quando) acho algo que prende minha atenção. Semana passada, achei um filme sobre Noel Rosa. Ainda que não tenha muita paciência com biografias escritas, até gosto de ver documentários e filmes que falam sobre grandes personalidades – aprendi que a gente entende melhor a obra de alguém quando tem alguma noção sobre a vida/história da pessoa. Foi interessante descobrir que Noel não era o boêmio do tipo deprimido (que eu tinha desenhado na minha cabeça por conta da foto mais famosa do compositor, em que ele aparece muito sério), e sim um boêmio muito farreiro e alegre. E é claro que isso reflete na música dele.

Coincidentemente, meu pai fez aniversário nessa mesma semana, e ganhou de presente um disco do Martinho da Vila (acompanhado de várias cantoras, entre elas suas filhas) cantando Noel Rosa. Aí, logo depois do filme, resolvi escutar as músicas. Como é diferente a percepção da letra quando você conhece o contexto que a produziu! O que já é bom, fica ainda melhor.

http://www.biscoitofino.com.br/Hotsite_Martinho_canta_noel/

Também foi uma surpresa descobrir ao ler o jornal que outro expoente da música/samba brasileira(o), Radamés Gnattali, foi um dos produtores (juntamente com um amigo de Noel, o Braguinha) daqueles disquinhos coloridos de histórias infantis que eu adorava ouvir (e que serão relançados agora em CD).  Ouvi algumas músicas de Radamés num concerto de Arthur Moreira Lima (sobre o qual falei aqui há um tempo atrás), e justamente nesta semana resolvi comprar um disco com composições dele, para conhecê-lo melhor. O vendedor, muito esperto, vendo que eu escolhia CDs de sambas/MPB “finos”  (o disco do Martinho foi presente de meu namorado para meu pai, escolhido com minha ajuda) me convenceu a levar também o disco do Quarteto Novo (procurem fotos para verem Hermeto Pascoal antes do barbichão), que veio a ser uma incrível descubrida que eu fazeu. Como diz um ex-aluno meu: doidimais!

http://www.radamesgnattali.com.br/site/index.aspx?lang=eng

 

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