Sobre Jesus e as religiões cristãs

Recentemente li um texto de Renarde Freire Nobre, professor de filosofia da UFMG, no Jornal Estado de Minas. Compartilho da visão que ele tem a respeito de Jesus e do cristianismo/catolicismo. Vou deixar aqui minhas ponderações, misturadas a (boa) parte do texto dele.

Deixando de lado a (grande) questão de Jesus ser ou não ser “o filho de Deus”, o que vemos é que independentemente do possível caráter divino ou da real existência dele, as religiões cristãs parecem ter se apropriado de forma indevida da história e dos ensinamentos deste homem/mito. Segundo o prisma de Renarde, “Jesus afirma que cada um pode realizar o Reino de Deus no coração, fazendo-se espírito pacífico e bem-aventurado”. Fica claro que esta é uma visão que ameaça diversas instituições, uma vez que a “nova simbologia trazida por Jesus, é focada na ideia do homem pleno em Deus (…) Ao acentuar o centramento do homem como espiritualidade, Jesus se põe acima da família, da Igreja, do Estado, da nação, do dinheiro, do conhecimento, ou seja, acima do mundo, seus parentescos e seus compromissos.” Por esse e outros motivos, ele acabou crucificado.

Ainda assim, ouve quem se aproveitasse da situação. A apropriação de Jesus pelas religiões cristãs, em especial pela Igreja católica, de certa forma deturpou suas palavras e ações, imputando-lhes sentidos alheios e dogmatizando-as. “Dogma é uma doutrina abstrata que pede cumprimento ritual, exatamente o que Jesus repudiava nos escribas e fariseus. Por isso, ele atrelou a palavra diretamente à ação, ao encarná-las como exemplo de vida. O homem é a escrita do divino. É possível deduzir, então, o quanto a posterior petrificação do poder cristão em Roma conterá de infidelidade, por reforçar a subordinação do espírito ao poder dos sacerdotes e à lei da Igreja, constrangendo a experiência com o dogma, enrijecendo a palavra.”

A mensagem que interpreto de Jesus é justamente a de que as amarras são desnecessárias, de que a ação e a palavra bem orientadas têm grande poder, e de que cada um tem o divino em si mesmo (de forma semelhante ao que diz o budismo). Acredito que o homem, ainda que não religioso, ainda que descrente ou ateu, necessita exercer sua espiritualidade – que por mais que muitos não queiram, é uma característica intrinsecamente humana. Essa espiritualidade nada tem a ver com religiões, e sim com o sentir-se pleno, como parte integrante e indissociável do mundo em que vivemos. Sob o ponto de vista de Renarde “espiritualizar-se é integrar-se em Deus com o coração livre e pacificado. Estar no mundo sem por ele se balizar. Seria a única maneira de ‘amar ao próximo’, porque é a prisão às ordens do mundo que nos divide e apequena.”

Já faz algum tempo que cheguei à conclusão de que a última coisa que Jesus gostaria é de que fôssemos à Igreja… Penso que o verdadeiro cristão simplesmente não tem religião…

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O texto de Renarde, obviamente, é muito melhor que o meu (visto que praticamente só falei o que ele disse), mas não tem acesso livre na internet. Então, deixei ele aqui no blog (está no post anterior) para quem tiver interesse em ler.

Abraços!

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