A volta da Família Addams – O filho folgado e violento

Eu sofro para conseguir viver em sociedade. Apesar de que, se você for perguntar  como sou socialmente para a maioria das pessoas de meu convívio, provavelmente elas dirão que sou tranquila e que me dou bem com todos. A verdade é que me controlo para não liberar o “Mr. Hyde” que há em mim, ou surtar como em “Um dia de fúria”. E olha, tem sido cada vez mais difícil, porque parece que as pessoas e o mundo desafiam nossa paciência e dignidade com uma intensidade e frequência cada vez maiores.

(Observação para os desavisados que levam tudo ao pé da letra: isso é um texto literário, e não quer dizer que sou psicopata e vou sair por aí em breve fazendo loucuras, ok? Àqueles que acham que meninos matam os coleguinhas porque ouvem determinada música ou vêem determinado filme, recomendo que não leiam este blog).

Não acredito em certas coisas, porém, há momentos em que a gente até corre o risco de cair em algumas falácias, dadas as coincidências aparentemente inexplicáveis. Tem hora que parece que o apartamento que fica logo acima do meu atrai pessoas com energias descompensadas. Já teve uma família em que o pai e a mãe viviam em pé de guerra, e volta e meia aprontavam uma gritaria danada, com as filhas correndo de um lado para o outro pra acudir a mãe, que se trancava no quarto, enquanto o pai ficava esbravejando (e eu tinha a impressão de que o pai mantinha as filhas quase em cárcere, pois raramente via elas fora de casa – enquanto o menino tinha toda a liberdade). Em seguida, veio outra família. Nessa, os pais eram muito gente boa, mas eles tinham um filho tão hiperativo que eu jurava que qualquer dia ele ia aprontar uma tão grande que abriria um buraco no chão e  ele apareceria lá em casa. Depois, veio a família Addams, que eu já comentei em outros posts. Essa semana um deles aprontou de novo…

Na madrugada de quarta para quinta fui acordada com uma movimentação e uma gritaria sobre minha cabeça. Eu não consegui saber exatamente o que estava acontecendo, mas o filho mala parecia estar meio bêbado, e gritava impropérios contra a esposa, que chorava e pedia para ele não fazer aquilo com ela. De vez em quando, tinha a impressão que ele estava batendo nela, mas não dava pra ter certeza. Acho que essa confusão deles zanzando pra lá e pra cá, palavrões, xingamentos, choro e gritaria deve ter durado mais de uma hora. Eles provavelmente não teriam parado se eu não tivesse aberto a minha janela com toda a ira que eu estava, já pronta para xingá-los – mas ao perceber que alguém os escutava, parece que se tocaram e deram um jeito de parar (ou pelo menos, de fazê-lo de forma que não escutássemos). E como dá a impressão de que algo ruim está acontecendo, a gente fica meio estressado, com o coração acelerado – e depois é até difícil voltar a dormir.

No outro dia, eu estava destruída – pois se não durmo direito, fico um caco. Aí, coloquei um recado no quadro de avisos do prédio, reclamando da baixaria e do incômodo – e dizendo que se acontecesse de novo, chamaria a polícia alegando caso de violência doméstica. Não falei exatamente para quem era, nem quem era o remetente – um cara tosco desse, pra vir tirar satisfação de forma errada ou acusar a gente de calúnia/difamação, pouco custa. Claro que o negócio não ficou lá muito tempo – pessoa faz trem errado mas não quer que ninguém saiba, aí arranca o recado rapidinho… De qualquer forma, ele fica manso por pelo menos um tempo agora. Não vou mudar o mundo, mas pelo menos durmo tranquila até ele esquecer do episódio…

Agora, fala que não é foda viver com gente assim?

 

 

2 pensamentos sobre “A volta da Família Addams – O filho folgado e violento

  1. Prédio é um coco e os vizinhos são as moscas que pairam acima do coco.
    É como se fosse uma casa em que você não mora com sua família, e sim com um monte de desconhecidos que tracam seus quartos.
    e não adianta reclamar de determinado vizinho, se ele for embora sempre há tendência de vir um pior.
    já tive um monte de vizinho mala, mas hoje os meus piores vizinhos são as casas em volta do meu prédio. quem tem casa acredita piamente que tem clube de festa. me identifiquei com o post. se quiser ter um dia de fúria no seu prédio eu te ajudo.

    • Oi Ogro!

      Bom você ter aparecido, lembrei de entrar no seu blog – fazia tempo que eu não andava por aquelas bandas da Ogrolândia! No dia que eu resolver atacar os vizinhos com a fúria ogral eu te convoco para liderar o motim! Uma força ogra nunca é demais!

      Abraço

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