O uso do cérebro: bem estar e sobrevivência

Sou uma chata inconformada e descontente com o mundo e a sociedade – para quem já leu o blog antes, isso é bem óbvio. Às vezes tenho medo de que as pessoas pensem que tenho alguma motivação eugenista. Mas como bióloga, sei que a diversidade é essencial para permitir que pelo menos alguns sobrevivam aos desafios do ambiente e garantam que a espécie se perpetue e evolua. Então, não é uma questão de criar um padrão restrito e controlado. A variação é algo bom – até porque, seria muito chato se todo mundo tivesse o mesmo perfil físico ou só gostasse de um determinado tipo de música (apesar de às vezes os funkeiros desafiarem nossa crença neste sentido).

Na última semana eu estava numa ira interna pensando como a maioria dos problemas sociais e de convívio são causados pura e simplesmente porque muita gente não é capaz de colocar em uso algo tão bonito, complexo e desafiador que elas têm: o próprio cérebro. E vejam bem, não estou aqui querendo que cada pessoa descubra uma lei da relatividade. Apenas que vivam bem uns com os outros, felizes, e que façam seu trabalho bem feito. Contudo, preguiça e egoísmo impedem a maioria de colocar suas conexões neuronais em favor do coletivo (sendo que no caso de seres sociais, como nós, humanos, o coletivo quase sempre tem um impacto/correspondência no plano individual). Espero que estas pessoas acabem desabilitadas pelo processo evolutivo – pois se ela continuarem dominando e aumentando em número como tem acontecido até agora, isso significará o fim da espécie humana (o que infelizmente é o que acho que acontecerá), ou, na melhor das hipóteses, que passaremos por um tipo de armaggedon em que apenas uns poucos sobreviverão.

Um exemplo bem simples: a senhora que passa roupa para minha mãe. Ela foi contratada como “passadora de roupa”. Espera-se que uma pessoa que seja contratada com esta função tenha o mínimo de experiência e domínio sobre o ofício. E que se não tiver, que aprenda. Entretanto, ela chegou sem saber nem como o ferro funcionava. E após um ano de paciência, explicações e tentativas da minha mãe, a senhorinha continua com o mesmo serviço meia-boca, deixando roupas amassadas, manchadas e até mesmo deformadas. E olha que a quantidade de serviço lá em casa não é muita, geralmente a mulher vai embora antes do almoço… Isso me dá um desânimo altamente profundo. Se nas coisas mais simples, que seriam uma exigência mínima esperada (alguém fazer o trabalho a que se propõe ser bem feito) o indivíduo não se esforça, e se contenta em fazer só o suficiente para constar como feito, imagina nas coisas mais complexas… E não é porque a pessoa não teve oportunidades boas na vida ou acesso aos estudos que ela não pode colocar seu encéfalo para funcionar – ainda que seja para atividades simples ou manuais, alguém esforçado e dedicado pode se sobressair e ser considerado uma boa referência naquilo que faz.

Enquanto eu pensava nisso tudo, folheando uma revista me deparei com um artigo de Sandra Brasil (Veja, Edição 2207, ainda não disponível online – Carnaval é dureza…) em que ela demonstra um raciocínio semelhante ao meu, questionando os motivos que levariam certas pessoas a jogarem lixo no chão. Segundo ela “a pessoa que joga lixo na rua, na calçada, ou na praia se revela portadora de uma disfunção mental e social que a inabilita para o sucesso no atual estágio da civilização”. Ainda não chegamos ao ponto em que a burrice (que é como eu chamo essa “disfunção mental e social”) é discriminada e combatida pela sociedade – especialmente aqui no Brasil. Mas de vez em quando vejo uns lampejos de esforços neste sentido, e torço para que eles tornem-se mais frequentes e tenham sucesso.

Ainda não li os livros de Sam Harris (pretendo fazer isso em breve), mas me parece que apesar de ser voltado mais para as questões religiosas, o pensamento desse filósofo também é pelo uso do cérebro a favor do bem-estar: “O objetivo é entender o bem-estar humano. Assim como queremos fazer convergir os princípios do conhecimento, queremos que as pessoas sejam racionais, que avaliem as evidências, que sejam intelectualmente honestas e que não sejam guiadas por ilusões. A Ciência da Moralidade pretende aumentar as possibilidades da felicidade humana.” (Entrevista de  Sam Harris em: http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/nao-acreditar-em-deus-e-um-atalho-para-felicidade-diz-sam-harris).

Tomara que as pessoas consigam lembrar que têm algo dentro de suas cabecinhas para ser usado – bem usado. E que pensar e agir em prol do todo, do coletivo, é também uma forma de pensar em si. Uma forma bem menos egoísta, e com melhores resultados…

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