O casamento não é meu

Já namoro há quase sete anos. Obviamente, faz algum tempo que eu e meu namorado ouvimos “e o casamento, quando vai ser?”. Pra mim sempre foi ótimo namorar, e apesar de ter vontade de cuidar de nossa vidinha juntos a sós, nunca tive nenhuma urgência em juntar os trapos. Sempre pensei que antes de dividirmos o mesmo teto e entrarmos na rotina conjugal eu deveria “ajeitar” minha própria vida. Apesar de não ter certeza do que realmente quero profissionalmente, agora finalmente “terminei” meus estudos (quer dizer, concluí o doutorado, mas estudos nunca terminam de verdade…), e tenho um emprego que me agrada. Ainda que não ganhe nenhuma fortuna, tenho condições de economizar um dinheirinho pra construir algo e fazer investimentos  a longo prazo. Então, acho que chegou a hora.

Não sou do tipo que sonha em casar de véu-e-grinalda-estilo-princesa. O importante pra mim é o relacionamento em si, e não as cerimônias envolvidas no processo de legitimação pública do mesmo. Também não sou uma pessoa festeira, nem de muitas interações sociais. Portanto, pra mim bastava um casamento no civil – só pra dizer que estamos casados. Além do mais, não tenho dinheiro pra gastar (e cerimônia/festa de casamento tradicional é algo que sai bem caro!). Prefiro gastar esse dinheiro na compra de um apartamento (ainda assim, não sei se consigo comprar, pois os preços andam absurdos!) ou numa viagem de lua-de-mel.

Depois de sofrer um pouco pensando nas diversas possibilidades de formalização do casamento, consultar algumas pessoas, ver que a lista de convidados de uma provável festa ultrapassaria 200 indivíduos (dos quais no máximo uns 30 eu faria questão, mas pra não dar confusão você acaba tendo que chamar um monte de gente a mais), de concluir que não somos religiosos para justificar um casamento na igreja, e de ouvir a princípio meus pais dizendo “o casamento é de vocês, façam o que quiserem”, eu e meu namorado decidimos que casaríamos somente no civil, com uma pequeníssima comemoração apenas com nossos pais. OK. Tá bom.

Segundo ato: fomos avisar aos nossos pais. Óbvio que a história mudou de figura. “Ah, mas assim é tão sem graça!”, “Seu tio e seu pai ficarão tão tristes!”, “Faço questão de pagar!”, e uma série de argumentos sentimentais para nos convencer de que tem que ter religioso, festa, etc, etc, e etc. Finalizando com um “mas o casamento é de vocês, façam o que quiserem…”. Ora, eu não quero gastar dinheiro com isso (nem quero que eles gastem comigo, pois já fizeram isso por muitos anos), não tenho fé suficiente pra ter sentido um casamento religioso, não gosto de festa, e não quero perder meu tempo escolhendo mil coisas como a cor do lacinho-que-vai-por-cima-do-bombom-branco-de- damasco-que-eu-odeio-mas-que-o-cerimonial-cismou-que-tem-que-ter-de- qualquer-jeito-porque-todo-casamento-é-assim!

Todavia, venho desde então trabalhando meu interior para me conformar de que o casamento, apesar do que dizem, não é meu. A gente casa é para os outros. Se vai fazê-los mais felizes do que a outra opção, faço um casamento “unidos do caralho a quatro” com tudo. Me fantasio de princesa, chamo todos os amigos do meu pai para ver a filhinha entrando na igreja, pago a bebedeira/comilança de graça pra galera (que é o que povo gosta na verdade). No princípio, vou sofrer por ver o dinheiro dando tchau e por ser contrariada. Mas sei que quando eu vir o sorriso deles, vou achar que valeu à pena (com um pouco de dor, mas vou…).

5 pensamentos sobre “O casamento não é meu

  1. Casamento é bom e eu recomendo, e não é naquele esquema de alguém pular na piscina gelada e ficar gritando pros outros pularem que a água tá boa. Quanto às cerimônias vejo-as apenas como formalidades sociais e odeio todas elas. O díficil é convencer pai, mãe, tia, avô, avó e o papagaio do vizinho de que não vai fazer festa nem pedir benção pra papai do céu. Eu acho, sinceramente, que todo mundo deve fazer festa de casamento…desde que eu seja convidado!

    • Kkkkkkkk!!! Ogro, você sempre me mata de rir! Concordo com você em tudo (apesar de ainda não ter experimentado o casamento!). Pode deixar que se tiver festa a gente te chama sim, Ok?

  2. Concordo plenamente em deixar as futilidade de um casamento de fora… tudo isto não quer dizer nada… só o relacionamento vale!!!! Adorei o texto…

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