Não tem salvação

A cada dia eu tenho mais certeza de que as pessoas não prestam. Eu sei, muitos dirão que estou generalizando, que nem todo mundo é assim, blablabla… Pois bem, há exceções, admito. Contudo, elas são escassas. E infelizmente não salvarão o mundo do grande bando de seres folgados, egoístas, safados e/ou incompetentes que há por aí. Essa é a verdade. Estamos perdidos. E os bons, que se fodam porque morrerão de depressão ou de dor no fígado.

Como não poderia deixar de ser, vou falar dos meus vizinhos. Quem acompanha o blog tá cansado de saber da minha ira insana contra estes indivíduos depravados que atormentam meu sono e minha tranquilidade. Mas eles são apenas um reflexo de tudo o que há lá fora. Ou seja: tudo é uma bosta (Ogro, não deixa seu filho ler!).

Ontem, para minha surpresa, quando cheguei em casa às nove da noite, plena terça-feira útil (ou não), a rua estava lotada de carros. Já fui pensando: “lá vem…”. Claro, que como manda o protocolo do vizinho folgado, a música alta começa bem na hora em que eu encosto minha cabecinha no travesseiro. A minha bile já foi se destilando, misturada com uma azia ferrenha. Dei uma breve cochilada, pois estava exausta, porém, a dormidinha não durou muito. Porque no protocolo do vizinho folgado também consta que a caixa de som tem que ficar voltada para fora, bem embaixo da minha janela. E os convidados também têm que se posicionar estrategicamente nesta posição, falando bem alto sobre assuntos que eu não dou a mínima.

Onze da noite, resolvo ir lá embaixo. Saio da cama descabelada mesmo, coloco só um casaquinho por cima do pijama pra não ficar indecente, e vou decidida a terminar com a festa. No meio do caminho, encontro com o segurança, e peço a ele pra pedir ao dono da festa que dê uma maneirada. Volto pra cama. Obviamente, nada muda.

Uma da manhã. Estou puta. Tem uma meninada gritando. Minha irmã vai até à varanda. Fica observando um tempo. Pede silêncio. As pestes correm embora, aterrorizadas. Ela estava igual à imagem do “Chamado”: branquela, camisola preta, cabelo comprido desgrenhado sobre o rosto. Enquanto isso, a música a todo vapor. Resolvo descer de novo. Queria desligar a chave geral do prédio. Levo uma lanterninha a tira-colo. Chego na garagem, mas não consigo saber qual das mil chaves desligar. Vou até o salão de festas. Fico observando, de fora, o movimento. Vejo que a vizinha do primeiro andar está acordada – ela sofre mais que eu, mas nunca reclama de nada. A caixa de som está cuspindo o som para fora do salão. Eu lá, de pijamão, e maioria fingindo que eu não existia. Alguns olham com cara de espanto. Resolvo então sair fechando todas as janelas voltadas para aquele lado – o lado do meu quarto.  Com cara de maníaca. Por último, tem a porta do salão. Fecho também. Cheia de gente na frente. Peço licença, quase derrubo as caixas de cerveja. Devia tê-las derrubado. Voltando para o apartamento, cruzo com uma das meninas, horrorizada, contando para o pai da minha irmã. Pelo menos algum divertimento…

A música ficou mais abafada, acho que mudaram a caixa de lugar, mas continuou até por volta de duas da manhã – quando parece que algum outro vizinho, muito mais puto que eu, resolveu descer e dizer que ia quebrar tudo. Ainda assim, o povo demorou a parar – o homem ficou lá esbravejando um tempão antes que cessasse a cantoria. E acho que só pararam porque parece que ia até sair briga.

Eu acredito que qualquer coisa que eu faça será ineficiente. Já são 20 anos morando aqui, vendo meus pais pedirem sem sucesso, e as mesmas pessoas achando que têm mais direito que os outros. Entretanto, vou continuar essa estratégia que comecei: “enche meu saco, que eu encho o seu em dobro”. Não apenas com os vizinhos, mas com todo mundo que merecer. Tô me lixando de parecer doida, chata ou má. Porque os outros só chegam neste nível de folga porque ninguém faz nada, achando que ficar quieto, deixar passar, é ser educado. Ficar quieto só reforça a atitude ruim. Não vou mudar o mundo, mas pelo menos, eu salvo o meu fígado, assusto umas criancinhas chatas e chateio quem me chateia.

2 pensamentos sobre “Não tem salvação

  1. Mas que vizinhança mais sem noção!!! Fazer festa com som alto em plena semana! Bando de vagabundo, esse povo não trabalha não? Põe essa cambada de piiiiiii pra bater massa em obra!!!! Eu vou chamar o síndico! Tim Maia! Meu amigo!!!
    Ah…essa postagem dá pra meus ogrinhos lerem sim! Eles, infelizmente, escutam coisa pior quando os piiiiiiiii dos meu vizinhos piiiiiii resolvem fazer aquelas piiiiiiiii de festas!

    • Se o síndico resolvesse, minha situação tava melhor! : )
      Vou mandar esse povo todo pra Piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! Parece que tá assim pra todo lado mesmo, né? Como dizem as vovós: esse mundo tá perdido!

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