Frankenstein de Mary Shelley

Acho que todo mundo tem em seu subconsciente a imagem do monstro esverdeado cambaleante com dois parafusos no pescoço como referência infanto-juvenil da criatura de Frankenstein, dada a apropriação enorme que foi feita da história e do ser pelas mais diversas formas de mídia: desde desenhos animados e histórias em quadrinhos, até às adaptações em filmes de terror.

Talvez por isso haja tanto espanto quando se faz a leitura do livro de Mary Shelley: esta criatura que temos como referência não tem quase nada a ver com o monstro original! O ser do livro é ágil, inteligente e sentimental (ainda que demore um tempo para desenvolver estas habilidades), é feioso sim, mas de pele amarelada (e não verde), fina e ressecada, lábios escuros e cabelos pretos escorridos. Enfim, ele é muito semelhante aos zumbis fisicamente, mas com características super-humanas por outro lado(já que além de ter habilidades humanas, algumas delas são até superiores, uma vez que possui alta resistência ao frio, força e velocidade).

Mais uma “decepção”: o monstro do livro não se chama Frankenstein (na verdade, ele não tem nome nenhum, e é denominado apenas por palavras como “monstro”, “criatura”, “desgraçado”, “demônio” e as variações destas). Frankenstein é o (sobre)nome do criador da criatura – mas a gente até perdoa, porque afinal, o filho herda o sobrenome do pai, não é mesmo?

Esta história exerce uma atração e fantasia muito grandes pelo que representa: a vontade de se vencer a morte, a imbecilidade humana de querer fazer-se de deus, a busca pela completude e pelos iguais, o preconceito de avaliar os outros apenas pelo aspecto físico, o desejo de vingança, e tantas outras questões de caráter universal – além, é claro, do terror que habita o interior de todos nós, e que consegue paradoxalmente nos atrair e horrorizar ao mesmo tempo.

A primeira vez que tive contato com a história de Mary Shelley foi através do filme “Frankenstein de Mary Shelley”. Comecei a ver o filme por acaso, mudando os canais da TV, e fiquei mesmerizada com a cena da criação do monstro, e porque ele era infinitamente mais crível do que a criatura verde meio abobalhada que foi eternizada nos primeiros filmes sobre Frankenstein. Os atores todos muito bons, com destaque para a criatura interpretada por Robert de Niro, e o “cientista maluquete” de Kenneth Branagh (que é também o diretor do filme).

Ainda que talvez  seja a versão mais fiel ao livro, o filme de 1994 tem inúmeras “licenças poéticas” – ao ponto de quando eu estava lendo o livro (o que fiz depois de ver o filme), eu ficar esperando por um acontecimento que nunca aconteceu! Aí eu não sabia se estava ficando doida e tinha imaginado coisas, ou se havia diferenças entre os dois mesmo…

Mesmo com as diferenças, tanto o livro como o filme valem à pena. Aproveitem!

http://www.imdb.com/video/screenplay/vi2224357657/

http://www.adorocinema.com/filmes/frankenstein/

http://www.associatedcontent.com/article/530227/mary_shelleys_frankenstein_vs_mary.html?cat=38

2 pensamentos sobre “Frankenstein de Mary Shelley

  1. A maioria dos filmes baseados em livros, ainda mais se o livro não for exatamente recente, usa a liberdade de alterar passagens importantes do livro. Mantém a estrutura básica e alterando várias passagens aqui e ali, transformando os filmes em verdadeiros Frankensteins. Vi uma comédia uma vez sobre o filme que rolei de rir. A propósito…você tem um carrão preto? Não??? Franks tem!

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