Factoides do nosso tempo (1): Bullying

Não vou dizer aqui que bullying é uma coisa que não existe. Claro que ele existe. Sempre existiu. Mas agora que esse tipo de comportamento ganhou nome “chique”, ele virou desculpa para muita coisa. Especialmente para a nossa incapacidade de educar crianças e jovens para aceitarem críticas (ainda que, no caso, descabidas), saberem avaliar, questionar, argumentar e discutir antes de tomar atitudes drásticas,  superarem os desafios, e principalmente terem uma auto-estima mais consistente.

Todo mundo tem na memória a história de algum colega que era chamado de baleia, ou de palito, ou de quatro-olhos e por aí afora… Nem por isso estes meninos saíam por aí assassinando colegas, professoras e pessoas inocentes. Não quer dizer que eles não sofriam com os apelidos e os comportamentos abusivos dos colegas, mas a maneira com que eles administravam isso devia ser bem diferente da adotada hoje em dia. Por que será? Obviamente, eu não tenho a resposta, e nem sou especialista nisso. Apesar da ideia aqui ser apenas fazer as pessoas pararem um pouco pra pensarem elas mesmas sobre o assunto, deixo um tiquitinho do meu ponto de vista (talvez meio torto).

Acredito que a maior diferença é quanto aos valores da sociedade como um todo. Hoje em dia o imediatismo é difundido em todas as esferas: no trabalho, nas relações interpessoais, no lazer… Raramente as pessoas pensam e avaliam antes de tomarem uma atitude, tudo é rápido demais. O agir tem mais importância do que o meditar e o usufruir. Ninguém quer pensar, apenas ter, fazer e produzir (e de preferência, que já venha tudo pronto, definido e determinado). O construir, os meios, não têm valor algum, apenas os fins importam. Vivemos no tempo da ejaculação precoce: o gozo vem antes que se possa realmente aproveitar o que a situação tem a nos oferecer de melhor. Nestas condições fica difícil de convencer e educar uma pessoa de que uma situação ruim é passageira e pode ser superada, e de que existem muitas pessoas cretinas no mundo sim, mas que justamente por isso a opinião delas não tem a menor importância…

Claro que seria lindo dizer que as crianças deveriam ser educadas para não fazerem sacanagem com os outros, e respeitarem seus semelhantes. E eu acho mesmo que deveria ser assim. Mas educação é, acima de tudo, exemplo. De que adianta professores e pais ficarem com papo-furado de “respeito ao próximo” se eles mesmos ficam fazendo piadinhas e falando mal de deus e o mundo na frente das crianças? E, convenhamos: falar mal dos outros é a atividade humana número 1. Então, já que não tem jeito de acabar com o tal bullying (dá pra diminuir, com certeza), temos  é que orientar a meninada pra eles saberem administrar esse tipo de coisa e terem uma auto-estima melhor…

Esses casos de homicídios associados a bullying, pra mim, têm pouco a ver com o bullying em si. Claro que o bullying é a situação desencadeadora, mas a falta de orientação, educação, acolhimento e atenção (em algumas situações, até mesmo de atenção médica, já que algumas dessas pessoas devem ter problemas psicológicos) são o que levam o indivíduo a administrar a coisa de forma equivocada. Quase todo mundo passa por situações em que gostaria de matar alguém, mas nem por isso a gente toma esta atitude! Imagina, como a novela “Carrossel” teria um desfecho bem diferente se o Cirilo não soubesse superar sua tristeza quando sacaneado pela Maria Joaquina…! Então, acho que é: combata o bullying, combata a cretinisse alheia, e estimule a auto-estima!

Pensa, se o Cirilo apelasse drasticamente...! "Carrossel Killer"!!!

4 pensamentos sobre “Factoides do nosso tempo (1): Bullying

  1. O povo hoje dramatiza tanto o negócio que até a criança fica mais sentida. Lógico que há casos em que a escola tem que intervir, mas não é qualquer coisinha, qualquer apelido atribuido, que o mundo acaba. Quantas pessoas não convivem hoje com o apelido que no passado lhes foi dado e que gerava quebra-pau toda vez que era utilizado?
    Qualquer coisa façam como o gordim do vídeo http://www.youtube.com/watch?v=eyVilspkzBg
    O bullying é extremamente necessário, sem ele não dá pra fazer café.

  2. Concordo Kurbis ,com tudo que disse, mas anda acrescento que o que falta para a meninada é o NÃO! Os pais não conseguem mais dizer NÃO aos filhos… Com isso o mundo tá virando, os pirralhos tem uma imensa dificuldade de lidar com a frustração, É mais fácil falar sim, desde pequenos, dá menos trabalho… Quando crescem viram mostrinhos… uns fazem bulling com os colegas por pura falta de limite e outros são “bullinados” por pura incapacidade de lidar com dificuldades! Não imagino onde vai parar esse mundo e menos ainda com que tipo de gente meus filhos vão conviver…pois ao contrário dos outros , sou uma mãe rígida…dá medo!

    • Oi Rô! Isso com certeza faz toda a diferença também!!! Eu não quis entrar nos méritos e desméritos dos pais porque não tenho filhos – aí fica parecendo que só estou querendo criticar algo que não conheço… Mas concordo com você!!!! Os limites andam passando longe mesmo, é muito triste pensar em como será o mundo que ficará para as próximas gerações…

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