Ah… Nem sei sobre o que eu devia escrever não. Ao mesmo tempo que há tanta coisa a ser dita, parece que tudo já foi falado, nada é novidade. E ultimamente tenho andado com uma enorme preguiça, pelo fato das pessoas falarem muito e fazerem pouco. Aí eu penso: de que adianta ficar aqui papagueando, se tá todo mundo falando ao mesmo tempo, mas quase ninguém se escuta? E quando escuta, quem é que sai da própria inércia pra fazer alguma coisa? Parece que ninguém é capaz de colocar o cérebro pra funcionar e os braços para trabalharem. A impressão que eu tenho é que nós reclamamos e reclamamos, porém, não fazemos nada realmente válido para mudar a situação (seja ela no que concerne a vida pessoal ou a vida pública/social).

Mesmo as poucas “ações” que vejo por aí, infelizmente, não me convencem. De que adianta a uma marcha contra a corrupção, por exemplo? Mostra a indignação popular? Sim. Vai contribuir pra resolver o problema? Não. Claro que indignar-se e organizar-se são os primeiros passos para uma ação eficiente, e ver a “macacada reunida” sempre cria um efeito poderoso, uma sensação de que “algo grande está para acontecer”. Contudo, pelo que já notei nestes meus longos e escassos anos de vida, o brasileiro (especialmente) gosta muito de fuzuê, mas pouco de envolvimento real. A gente confunde manifestação com ação. No exemplo da corrupção, a meu ver, gritos e caminhadas com pessoas de nariz de palhaço serviriam apenas para divertir os próprios corruptos. Pra mim, haveria duas formas de combater essa praga: ações políticas ou quebradeira. E ainda assim, historicamente, as quebradeiras normalmente não passam da utilização do povo como massa de manobra para que o interesse de um pequeno grupo, até então desfavorecido, seja satisfeito e alcance o poder. Então, no final, restam as ações políticas: que dependem de um nível de educação, cultura, e principalmente, de herança e aprendizados históricos que nós brasileiros ainda não possuímos (vide exemplos como Alemanha, Coréia, Países do norte Europeu…). Até acho que estamos no caminho, mas ele é longo, e não sei se chegaremos lá antes desse buraco crescer a ponto de nos consumir…

Pois é, estou descrente de tudo, pra variar… Cansada e sem perspectiva. Alguém pode me ajudar? Ou será mais fácil entrar no barco comigo pra afundar? : )

8 pensamentos sobre “

  1. Se eu entrar no barco com esse meu peso atual ele afunda mesmo.
    Acho que existe uma evolução. Lenta, arrastando, mas um bom começo.
    A manifestação totalmente apartidária é interessante. Agora a crítica a revolta não é contra um grupo ou um partido, até porque o antigo defensor partidário da ética, o PT, está no poder há anos e continua tudo a mesma mierda. A indignação é contra a classe política como um todo. E o perigo é que essa efervescência da população seja, como você disse, manipulada por algum grupo de espertinhos que não esteja sendo favorecido pelo atual governo.
    Indignar-se pode ser o primeiro passo rumo à grandes revoluções.

  2. Não sei se vou te ajudar não, mas vamos lá…
    Particularmente, acho que essas manifestações são produtivas sim.
    Por pior que sejam (falta de engajamento, manipulação de oposições, etc), servem pelo menos para ir criando um hábito de ir às ruas, de falar e ouvir que x está errado, de sair da cômoda posição de revolucionário de pijama. É um envolvimento muito maior do que colocar um monte de post no facebook (que aliás na maioria das vezes nem é envolvimento, é aquele efeito ‘nú, doido! vou colar pra todo mundo ver também!’). É um processo lento mesmo, e ainda pior quando envolve um interesse difuso, porque manifestações de classe já tem um interesse egoísta envolvido que acaba por favorecer o alçar da bunda do sofá.
    As redes sociais, aliás, servem e muito é para a divulgação desses eventos reais, eu acho. E quem não faz nem isso – ir a um protesto, por exemplo, sem organizar nada, só ir -, que é o mínimo de demonstração da própria insatisfação, perde a coerência ao reclamar de qualquer coisa. Para mim.
    Eu tenho um sério problema com essa tal de coerência… Ela fica ali, no meu altar… algumas vezes tenho vontade de mandá-la às favas, mas ela tá certa, como a onda do Raul.
    De defensores da probidade, da moralidade (e muitas vezes do moralismo também), da ética, estão cheios: as manifestações, as repartições, a internet, os lares, os partidários, o PT, o PSDB, o DEM… ops, o dem não!!! É contra seus princípios fundamentais!!!
    Daí a ser coerente são outros 2011, antes e depois e…

    • Isabelita sumida, sabia que este assunto iria fincar no seu peito de amiga mais política e engajada que eu tenho! Acho que concordo com você – apesar dos riscos de manipulação e da frequente falta de engajamento, manifestar qualquer coisa é melhor do que a reclamação inerte e vazia à beira do sofá. Eu acho que na verdade o que me incomoda mesmo não são as reclamações manifestativas, mas a falta de um projeto alternativo, de propostas alternativas factíveis, sabe? Porque as manifestações podem até tirar alguém do poder (por exemplo), mas sem propostas e organização adequadas, vai entrar lá alguém igualzinho com um nome diferente, apenas… E essa questão da dificuldade de ser coerente é inerente ao ser humano, mas a gente tem que estar atento pra tentar não agir conforme interesses pessoais e passageiros (que é o que a maioria dos políticos faz), e pensar mais no bem comum – e isso é cansativo e difícil, por isso a maioria acaba sucumbindo e se acomodando… Eu às vezes fico perdida sem saber o que fazer… Tenho tentado colocar essas coisas em prática nas pequenas questões cotidianas primeiro, porque não adianta eu esbravejar contra um político em Brasília se aceito um pequeno ato de corrupção no trabalho, por exemplo… É difícil, é difícil, porém, não podemos desistir, porque aí é que o trem não vai andar mesmo! E como você disse: “o problema é deixar de ser alienado enquanto cria atitude… até lá, massas manipuladas…” Vamos torcer para que consigamos mudar a tempo…!

      Abraços

  3. Concordo com vc que as vezes dá desânimo mesmo, concordo com os outros de que o processo é lento mesmo.
    Mas não conseguimos uma forma de nos organizar sem a política, pelo menos e até hoje.
    As alternativas tentadas foram todas piores do que essa, bem piores.
    Então vamos indo, aos trancos e barrancos, porque assim somos nós, brasileiros em particular e humanos em geral.
    Gostei muito do seu blog, não desanime não.
    Abs

    • Oi Bruno!

      Valeu pelo incentivo!! Temos que ir tentando, procurando os melhores caminhos mesmo…!
      Seu blog também é bem legal, por que tá sem escrever há tanto tempo?! (Olha eu falando… vamos se até amanhã consigo postar algo novo aqui…).

      Abraço

      • Pois é, tanta coisa… muitas vezes penso em usar o blog como um lugar pra registrar coisas e pra desabafar mas o tempo vai passando… tô com umas coisas pra escrever, vou ver se coloco algum novo nos próximos dias.
        Abraço e boa semana pra você.

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