7 bilhões: é possível um mundo sustentar tantos? (1)

Nas últimas semanas completamos a quantidade de sete bilhões de pessoas no mundo. Eu me lembro a primeira vez que ouvi falar sobre as teorias de Malthus, ainda na escola, nas aulas de geografia (que eu adorava). Fiquei assombrada quando soube que nós aumentávamos sem parar (mesmo com guerras, doenças e tudo o mais nos matando em grandes quantidades) e que havia uma possibilidade de que o nosso planeta não desse conta de suprir a necessidade de tantos. Àquela época, estávamos quase completando 6 bilhões (deve fazer por volta de uns 15 anos…).

Hoje, não me vejo menos assombrada. Tudo bem que, provavelmente, nem estarei aqui para ver o caos maior desse crescimento contínuo da população humana. Contudo, já sentimos na pele muitos dos problemas gerados por haver gente demais no mundo (associado a nosso padrão de vida consumista, e, no Brasil, à falta de planejamento e organização). O exemplo mais simples: há 10 anos atrás eu tinha certeza que conseguiria chegar no local onde trabalho em no máximo 15 minutos, e sempre havia lugar para estacionar (apesar de então, eu não ter carro). Agora, preciso sair com uma antecedência maior porque além de o tempo para chegar poder variar muito conforme o trânsito, se eu não chego cedo, não acho vaga para colocar o carro. Pois então, será que vai ser possível conciliar o crescimento populacional com (alguma) qualidade de vida, quando em boa parte do mundo temos uma classe média emergindo e ansiosa para consumir cada vez mais? E quem estará realmente disposto a mudar os hábitos de vida que aumentam o conforto e o status (ainda mais após uma histórica vida de sofrimento e privações)? Fora que, enquanto isso, a população pobre que ainda não tem perspectiva de melhoria de suas condições só aumenta em quantidade e se vê a cada dia numa miséria maior. A ciência e a tecnologia tem otimizado o aproveitamento dos recursos naturais, porém, até quando isso será viável quando a humanidade suga cada vez mais do planeta sem dar a ele tempo e meios de manter seu equilíbrio?

Até mesmo políticas de controle populacional, que são apontadas como solução, tem seus vieses. Como seria possível conciliar uma redução na massa economicamente ativa (que ocorreria com um controle populacional eficaz) com as crescentes demandas produtivas e o alto custo do envelhecimento do povo? Se por um lado há populações que crescem desenfreadamente (como na Índia), outras praticamente encontram-se em retração (como em boa parte da Europa). De modo geral, os seres humanos aumentam em quantidade, mas há um abismo entre eles. Creio que muitos problemas ainda aparecerão por conta disso: a Europa por um lado oferece talvez as melhores condições de vida do mundo atual, porém, vê sua mão de obra se esgotando e o Estado tornando-se muito oneroso para conseguir manter a qualidade para um contingente enorme de aposentados. As virtudes do continente atraem imigrantes dos lugares onde as condições são mais precárias, e que acabam trabalhando em setores que, até então, eram menosprezados pelos europeus. Contudo, hoje a Europa se vê numa crise por conta do inchaço dos Estados e da dificuldade em manter os níveis de produção. Isso tem resultado na contenção da máquina pública, com redução de salários e demissão de funcionários: e aí, os empregos que eram “ruins” para os europeus passam a ser sua única opção. Resultado disso tudo: caos, confusão e xenofobia.

Somos muitos, estamos nos multiplicando, e queremos sempre mais e melhor. Será que vai dar?

(Depois vou tentar voltar a este assunto, pra falar um pouco sobre sustentabilidade e mudanças de hábitos).

2 pensamentos sobre “7 bilhões: é possível um mundo sustentar tantos? (1)

  1. O mundo mergulha cada vez mais no abismo escuro da destruição. Crise econômica em plena Europa? Itália quase quebrando? China se tornando lastro financeiro mundial? Tem banco chinês na lista dos bancos internacionais que não podem quebrar. A última instância comunista ameaça ruir completamente todo o capitalismo.
    Desde os mais remotos tempos crise de recursos, econômicos, financeiros ou o que for, resulta em guerra.
    Coloquemos nossas barbas de molho porque tempos horríveis virão.

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