Vírus da “Gripe Aviária” (H5N1) produzido em laboratório: um perigo para a sociedade?

Atendendo ao pedido do Ogro vou começar uma série de posts sobre “vírus doidões”. : )

Neste último mês uma das maiores discussões no meio acadêmico das ciências da vida tem sido a censura que o governo americano impôs a algumas publicações científicas de grupos que conseguiram produzir um vírus da “gripe aviária” (Influenza H5N1) modificado em laboratório. A principal modificação realizada no vírus permite que o mesmo seja transmitido entre mamíferos (no caso dos experimentos realizados, entre furões). Até o momento, o vírus H5N1 circulante na natureza só é transmitido entre as aves, e de aves para mamíferos. Se o vírus “natural” fosse transmitido de mamíferos para mamíferos, a epidemia que matou mais de 90 pessoas em 1997 na Ásia (cuja mortalidade chegou a 50% dos infectados) teria sido muito maior, e muito mais complicada de ser controlada. Na época, os indivíduos que tiveram contato com aves ou seus detritos (especialmente os produtores de aves) foram os principais acometidos pela doença, que estava restrita à região do sudeste asiático (hoje o vírus já pode ser encontrado na Europa e na África).

Os grupos que produziram o vírus modificado, potencialmente mais perigoso para o homem (não dá pra ter certeza, já que não podem ser feitos testes em humanos!), dizem ter feito isso com o objetivo de estudar medicamentos e vacinas que possam controlar o H5N1 caso o vírus circulante na natureza sofra modificações que o tornem naturalmente transmissível entre humanos – assim, já estaríamos prevenidos  e sofreríamos menos. Por outro lado, o temor do governo dos EUA é de que as publicações que contariam como o vírus foi “fabricado” poderiam servir de base para terroristas produzirem armas biológicas (ainda que a técnica para isso seja de conhecimento notório no meio, e de fácil execução para um cientista, mesmo que a “receita” testada não fosse divulgada, pois já há outros artigos publicados que sugerem o que tornaria o vírus transmissível entre mamíferos. Em contraste, para alguém sem a instrução e aparelhagem corretas, seria impossível executar uma tarefa com a complexidade desta: não dá pra fazer este vírus em “fundo de quintal” como se fosse um coquetel Molotov). Além disso, muitos temem que o vírus laboratorial possa “escapar” e infectar pessoas antes das vacinas e tratamentos serem estudados e produzidos. Enfim, tá uma confusão comparável as das novelas!

A briga agora é pra resolver se os benefícios dessas pesquisas superariam os riscos. Os cientistas envolvidos estão fazendo uma espécie de “paralisação”, enquanto as autoridades, pesquisadores e público discutem e tentam chegar a algum consenso. Além do risco do vírus produzido, o que mais preocupa em todo este imbróglio é a censura. Os cientistas têm tentado ao longo dos anos publicar seus trabalhos de forma que as pessoas possam conhecer, reproduzir e aproveitar as conclusões das pesquisas para novas aplicações e estudos científicos, e  também para a elaboração de políticas públicas para prevenção e tratamento de doenças. O medo da ameaça terrorista pode ser bastante danoso neste sentido, por frear o progresso científico. Contudo, certificar-se de que as condições em que o vírus é produzido e armazenado são seguras está longe de ser um temor infundado. A discussão faz parte desse progresso científico, já que muitas dessas situações nunca foram vividas antes por nós. O maior problema, na minha opinião, é que nestas questões “de ciências”, a maior parte da sociedade sempre acaba de fora – seja porque não é feita a divulgação adequada dos temas, seja porque estes temas são tratados de forma a dificultar o entendimento por aqueles que não são da área. O que normalmente acontece é que o povo fica somente com as imagens deturpadas e as consequências desastrosas das decisões que vem de cima… Vamos ver no que isso vai dar…

http://www.nature.com/news/specials/mutantflu/index.html

http://www.sciencemag.org/site/feature/data/hottopics/biosecurity/index.xhtml

2 pensamentos sobre “Vírus da “Gripe Aviária” (H5N1) produzido em laboratório: um perigo para a sociedade?

  1. Nu! Fiquei todo borrado!!! Aqui em casa não entra mais frango! Eu nem vou jogar bola no gol para não tomar frango!!!
    O medo é que os nosso avanços tecnológicos vão ocorrendo de forma tão grotesca que um dia um terrorista seja capaz de fazer um vírus desses no esquema fundo de quintal que você falou!
    Esse povo num tem juízo!!!
    Essa série de postagens de vilões doidões eu vou ler de luz acessa! Isso assusta mais que o exorcista!

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