Sidarta – de Hermann Hesse

Comecei a ler este livro porque encontrei ele perdido no armário, e eu não tinha mais nada para ler. A história em si não tem nada de extraordinário. Fala, basicamente, sobre a busca humana de um sentido da vida, mas sem o apelo “hipponga que quer te converter” que este tipo de livro costuma ter (como foi publicado em 1922, foi bem antes desse tipo de assunto virar moda). O livro narra a história de Sidarta, um jovem contemporâneo do Buda. Sidarta é educado desde criança para uma vida de brâmane (espécie de sacerdote  hindu) estudioso, mas acaba seguindo outros caminhos por acreditar que não encontrará as respostas que deseja da forma como vive. Nessa busca, ele deixa sua terra para viver como um ermitão, porém, mais tarde abandona a meditação e o jejum para se entregar aos pecados da vida de um homem comum. Vive assim por muitos anos, até perceber que nada ali o completa. Então, novamente abandona tudo para tentar alcançar as respostas que deseja. Na velhice, finalmente chega ao seu “Nirvana”.

Apesar da história hoje soar meio clichê, acredito que na época de publicação deva ter sido grande novidade, pois poucas pessoas conheciam e tinham contato com a cultura indiana. O autor do livro, o alemão Hermann Hesse (ganhador de um prêmio Nobel de literatura em 1946), foi para a Índia, desacreditado que estava da cultura ocidental. Assim pôde ter embasamento para escrever esta obra.

Deixo aqui algumas passagens que achei interessantes, e que para mim foram as melhores partes do livro.

“Não me cumpre julgar a vida de outrem. Devo opinar, escolher, rejeitar unicamente no que se refere a mim mesmo. Nós, os samanas, procuramos a redenção do eu(…)” p.51

“Os conhecimentos podem ser transmitidos, mas nunca a sabedoria. Podemos achá-la; podemos vivê-la, podemos consentir em que ela nos norteie; podemos fazer milagres através dela. Mas não nos é dado pronunciá-la e ensiná-la.” p165

“As palavras deturpam sempre o sentido arcano. Todas as coisas alteram-se logo que lhes pronunciamos o nome. Então se tornam levemente falsas e ridículas… (…) Aprovo inteiramente e com o maior prazer o fato de que aquilo que para uma pessoa é um tesouro e uma grande sabedoria representa para os demais homens rematada tolice.” p168

“(…)coisas podem ser amadas. Mas não posso amar palavras. Por isso não me servem as doutrinas. (…) Não têm nada a não ser palavras. Talvez seja esta a razão por que não encontres a paz: o excesso de palavras. ” p.169

Lógico que estes e outros trechos têm muito mais sentido no contexto da história. Por isso, apesar de eu já ter contado muita coisa, vale a pena ler o livro. Tomara que nos faça mais sábios! : )

4 pensamentos sobre “Sidarta – de Hermann Hesse

  1. Ou muito me engano ou Sidarta é o próprio Buda! A história também bate com a da vida dele. Abandonou riquezas mil para descobrir a cura para o sofrimento humano. Eu li um livro de budismo muito legal. Também não visa o proselitismo, mas diz que qualquer um pode ser budista.
    Os princípios do budismo são realmente interessantes e atraentes, neste mundo competitivo e destrutivo que vivemos hoje.
    Se quiser te passo o livro pelo The D!

    • Aceito o livro emprestado sim, Ogro! Pois é neste livro do Sidarta o autor faz uma espécie de crítica ao budismo, porque o personagem título tem o mesmo nome e uma vida muito parecida com a do Buda, mas chega a conclusões diferentes das dele (inclusive, tem uma parte do livro onde o personagem principal discute suas teorias com o Buda em pessoa, e até fala pra ele que não concorda com o que ele diz!). Tapa na cara do Buda!

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