Porque penso que é melhor não ter filhos

Me casei há um ano e meio, aproximadamente. Depois que você casa a pergunta que mais ouve é: “quando virão os filhos?” Eu e meu marido pensamos que é melhor não tê-los. Meu marido até brinca, inventando um caderninho imaginário onde lista os 2753 motivos para não ter filhos, e cita alguns deles quando indagado a respeito. Brincadeiras à parte, o fato é que há um motivo principal real para que a ideia de colocar uma criança no mundo não pareça algo muito estimulante. O trailer desse documentário demonstra um pouco isso:

A sociedade e o governo não consideram a enorme responsabilidade, o imenso trabalho e a beleza que é formar uma pessoa. Porque ser pai, mãe, vó, vô, tio, tia, etc (uma família) é isso: ajudar a formar pessoas e as fazer crescerem, aprenderem, se desenvolverem, evoluírem. Porém, infelizmente, o mundo está organizado de uma forma que filhos não são pessoas: são mercado. A família não é um grupo que auxilia na formação, é apenas quem provê e (na maioria das vezes) tem laço de sangue.

Obviamente, pais e mães responsáveis e amorosos sabem que não deveria ser assim, e por isso ficam angustiados, deprimidos, cansados, estressados – porque raramente têm a opção de serem pais da forma como gostariam e julgam ideal. Não há tempo, temos que trabalhar, trabalhar, trabalhar…

Países onde a preocupação com o bem-estar social é levada mais a sério permitem uma licença mais longa após o nascimento dos filhos, e permitem que essa licença possa ser usufruída pelo pai, alternativamente à mãe, se assim os pais julgarem melhor – podem, inclusive, dividir parte do período de afastamento para um, e parte para outro.

Também é necessária uma jornada de trabalho menor e/ou mais flexível do que o padrão geral atual de 8 às 17, para que as pessoas possam se dedicar à família de forma mais tranquila e com maior qualidade. E, embora a participação do pai nas atividades e criação dos filhos seja cada vez maior, na maioria das vezes as responsabilidades (e as privações) ainda recaem majoritariamente à mãe – mais um ponto que precisa mudar.

Claro que quando o desejo de ter filhos é grande enfrenta-se estes desafios todos com um sorriso. Com muito amor é feito o melhor que se pode, uma doação quase que completa. Mas lá no fundo fica aquele sentimento de que se poderia ter oferecido muito mais, ou melhor qualidade, se as condições fossem outras. Apesar da consciência de que individualmente se faz o melhor possível, dói saber que as restrições impostas pelo mundo impedem que seu filho (e todas as crianças do planeta) possa(m) ser muito mais do que o grande milagre que já são…

Eu sempre fico com uma tristeza enorme de ver tanto potencial, que é uma vida (uma vida humana ainda mais) desperdiçada por conta disso.

Acho que ser pai e ser mãe é a maior prova de otimismo que existe.

Esse ótimo texto (em inglês) de Jill Filipovic  mostra que a opção de não ter filhos (tanto quanto a de tê-los) deve ser mais bem aceita pela sociedade. Segundo ela (e eu concordo),  o que necessitamos são novas “normas” sociais – o mundo mudou, mas as pessoas e a cultura não parecem ter acompanhado estas mudanças… 

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