O “Espírito do Tempo” Personificado – Sebastião Salgado

O “espírito do tempo” não precisa necessariamente de ser formalizado para que exista. Economia baseada em recursos, sustentabilidade, respeito à natureza e afins são expressões que usamos para facilitar a disseminação de informações e as discussões. Porém, não são os termos utilizados que fazem as coisas existirem: elas estão aí e aqui, independentemente do nome que damos a elas. As pessoas mais sensíveis, de percepção mais aguçada, percebem isso, parecem saber de forma quase intuitiva o que precisamos ser para vivermos em um mundo mais equilibrado, mais feliz – sem que necessariamente façam parte de alguma organização que tenha tal intento.

Alguns indivíduos talvez sejam bons exemplos de pessoas dotadas dessa percepção. Ouvi-los um pouco pode nos ajudar a aumentar a nossa própria sensibilidade.

SSSebastião Salgado, nesta entrevista concedida ao programa “Espaço Público”, da TV Brasil, fala sobre suas experiências como fotógrafo que trabalha a denúncia das desigualdades e o registro das diversidades, além de sua atuação social, especialmente através do “Instituto Terra”. No limite entre o jornalismo e a arte, Salgado se expressa fotograficamente de forma poética, e através de sua fala mostra-se um ser humano igualmente sensível, indicando que precisamos respeitar a natureza e procurar nossa identidade com esta, bem como com todos os nossos ‘irmãos’ da espécie humana.

Alguns trechos da conversa:

(Sobre o contato com tribos e comunidades isoladas): “Quando você chega numa comunidade dessa, você chega numa comunidade de humanos, você chega na SUA comunidade. Eu descobri nestas viagens que nós somos muito mais velhos (?) do que a gente imagina, nós somos tão próximos dessas comunidades, e tudo o que é importante e essencial para nós é importante e essencial para essas comunidades.”

“Este movimentos chamados ‘utópicos’, eles trazem também uma grande quantidade de informação e um grande indicador de momento de mudança na sociedade.”

“Me contaram uma mentira durante toda a minha vida dizendo que eu fazia parte da única espécie racional do planeta. Mentira profunda. Existe uma racionalidade profunda dentro de cada espécie. E eu tive que aprender a compreender essa racionalidade.”

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